Missões 22 MAR 2021 ÀS 08H44

Compartilhar o Evangelho exige atenção para ouvir

Missionária CBESP Sônia Lima aborda tema na BSP21

Por CBESP

A Revista Batistas SP (BSP) trouxe o testemunho escrito pela capelã hospitalar e missionária da Convenção Batista do Estado de São Paulo (CBESP), Sônia Costa de Lima. O relato compartilha a importância de levar a mensagem de consolação e reconciliação a todos, e mostra, ainda, que ouvir é tão fundamental quanto falar. O assunto foi compartilhado aos leitores e leitoras na edição especial para o trimestre de julho a setembro de 2020 e está reproduzido abaixo.

A BSP é a publicação oficial da CBESP

As páginas da revista formativa e informativa produzida pela CBESP oferecem em seu número 21 outros textos - alguns já disponíveis no site, como do pastor Genilson Vaz, presidente da instituição, e do pastor Adilson Santos, do diretor executivo do Conselho de Administração e Missões da CBESP. Ainda há a terceira reportagem da série "Doar é Amar", produzida pela jornalista colaboradora Edna Geraldo. Para ter acesso a essa ou a outras edições da Batistas SP, clique aqui.

Bom ouvido é fundamental*

Curso de orientações para visitas e apoio espiritual em hospitais realizado pela missionária da CBESP Sônia Lima (Fotos: Arquivo Pessoal)

Nos hospitais, nas igrejas, faculdades, escolas, bairro em que moramos, vizinhos, em casa, e em muitos outros lugares, sempre há pessoas em crises, em sofrimento, seja no físico e/ou na alma. A depressão e o transtorno de ansiedade, doenças muito comuns em nossa época, estão presentes em quase todas as famílias. Suas causas internas (físico/orgânica) ou externas (situações e desafios enfrentados: perdas, traumas, violência, separações, solidão, rejeição, abandono etc.) devem ser tratadas, e, para isso, temos o tratamento que a medicina oferece, ou seja, terapia, mas não pode faltar o tratamento envolvendo a fé.

Sônia (dir) entrega devocional a enfermeira Magali

O trabalho com apoio espiritual aos que sofrem no físico e na alma (capelania) nos ensina sobre isso. Ele nos dá oportunidades de contemplar melhoras e recuperação mais rápidas, com a ajuda de um bom ouvido, uma palavra sábia e oportuna. E, ainda, uma oração “invadindo os Céus” e apresentando a preciosa vida que está sofrendo e em tratamento, expondo ao Pai do Céu tudo o que foi colocado por aquele coração, como sua preocupação e seus lamentos. “A alegria do coração transparece no rosto, mas o coração angustiado oprime o espírito” (Provérbios 15.13).

Levando salvação
aos perdidos e curando
feridos de alma

Magali Telma da Silva é enfermeira em um hospital em que sou capelã há mais de 15 anos. Eu a conheci fazendo devocionais semanalmente em seu setor, sempre muito pensativa após nossa reflexão na Palavra e oração. Procurava-me algumas vezes para fazer perguntas sobre o que havia ouvido sobre a Palavra e agradecia as orações. Em outras ocasiões se encontrava muito séria, com muitos questionamentos, enfrentando crises, revoltada (como acontece com muitos), mas sempre atenta às reflexões bíblicas, ouvindo e participando. Mas Magali mudou de setor e por alguns meses não nos encontramos mais.

Capelania é instrumento para mãe e filha virem a Jesus

Certo dia eu estava fazendo devocional com funcionários em outro setor, então a reencontrei! Cumprimentou-me com um grande sorriso e começou a relatar suas últimas lutas, entre elas a perda de seu esposo, dificuldades na família com os filhos (o que é muito comum, nos procuram após ouvir a Palavra para relatar e pedir ajuda e oração em suas lutas familiares), mas a boa notícia veio: ela havia se batizado e estava frequentando assiduamente uma igreja evangélica!!! Nesta ocasião me pediu ajuda para sua filha que estava com depressão, uma jovem de 19 anos, e eu, de pronto, dei meu contato para ela, a fim de agendarmos um encontro para atender sua filha. Havia iniciado esse trabalho, através do Instituto de minha igreja, de atendimento a pessoas com depressão, que era uma extensão da capelania.

Conheci então sua filha Dafne Cristina da Silva Santos, e, com muito carinho, começamos a cuidar dela, eu e mais uma equipe na igreja. Durante o tempo de atendimento (meses), entrei em contato com o antigo pastor dela, que eu já conhecia, pedindo a ele que a visitasse e a reaproximasse da igreja, pois ela havia se afastado devido a algumas crises. Ele atendeu Dafne com muito amor e carinho, e alguns meses depois ela estava sendo batizada nas águas e dando testemunho.

Magali acabou indo frequentar a mesma igreja que a filha, onde posso acompanhá-las, pois tenho contato com o pastor e família. Para glória de Deus, esse mês Magali participou do curso que ministro de capelania, deu seu depoimento sobre a importância desse ministério em sua vida e agora, perto de sua aposentadoria, deseja ajudar pessoas que sofrem na alma.

Dafne testemunhou da fé em Cristo através do batismo

Sua filha Dafne, agora com 22 anos, ainda tem seus dias difíceis, mas sabe lidar com a tristeza quando ela vem, sem deixar que a domine, pois diz que com fé consegue lutar melhor. Pediu-me ajuda de como orientar pessoas ao seu redor sobre a importância da fé como um dos recursos para lidar com depressão e ansiedade, sem condenar nem julgar a pessoa, dizendo que sofre porque não tem fé!

Após aconselhamentos e cuidados pastorais,
Dafne professa a decisão por Cristo no batismo

Testemunhou para mim que não aceita mais a acusação de que quem tem depressão ou ansiedade é porque não tem fé, e que hoje, inconformada, só quer se defender com sabedoria e ensinar pessoas a entenderem a doença, bem como seu tratamento e cura, usando o recurso da fé, da medicina se precisar, encontrando um bom ouvido, um bom amigo, um instrumento de Deus! “O Espírito do Soberano Senhor está sobre mim porque o Senhor ungiu-me para levar boas notícias aos pobres. Enviou-me para cuidar dos que estão com o coração quebrantado para consolar todos os que andam tristes” (Is 61.1-2).

Sonia Costa de Lima
Missionária CBESP e capelã hospitalar

*Reproduzido a partir da Revista Batistas SP (Ano IV / Edição 21).