Batistas SP 20 JUL 2020 ÀS 12H48

Drama das águas é assunto da JUBESP em artigo à BSP

Texto chama atenção à poluição do recurso hídrico

Por CBESP

Na edição março-abril da Revista Batistas SP (BSP), a liderança estadual da Juventude Batista (JUBESP) reforçou o tema principal da publicação oficial da Convenção Batista do Estado de São Paulo (CBESP) e tratou sobre a importância da água. O texto é escrito pelo diretor executivo da JUBESP e engenheiro ambiental Nícholas Bié. 

A BSP19 traz ainda a segunda reportagem da série "Doar é amar", produzida pela jornalista colaboradora Edna Geraldo, falando agora de doações de recursos materiais.

Excepcionalmente, a BSP19 está disponível apenas na versão digital

Na publicação, há também homenagem a missionárias pelo Mês das Mulheres e artigos das organizações batistas do estado paulista. Clique aqui e tenha acesso a essa e a edições anteriores.

As águas que sofrem*

Falta de saneamento básico é um dos principais crimes ambientais em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil (AdobeStock)

A olhos nus, a água parece infinita, mas não é! Estima-se o volume de água no Planeta em 1,386 bilhão de km cúbicos. Disso tudo, 99,2% é salgada, 0,78% é doce, onde 12% delas (0,78%) estão no Brasil. Não dispomos de 1% da água do mundo para utilizar, e, no Brasil, temos 0,00094%, já no estado de São Paulo, 0,000055% da água disponível no País.

Sabemos da necessidade de atenção com a água para uso da população, mas é nítido o escasso interesse com a questão, principalmente nas cidades populosas e industrializadas, onde o desperdício e a poluição dos mananciais afeta direta e visivelmente a todos.

Um cidadão paulista usa 200 litros de água por dia. O Ministério do Meio Ambiente avalia que 35%, ou seja, 70 litros/dia da água tratada é desperdiçada. A Sabesp informou em 2018 que retirou 2.806 milhões de metros cúbicos de água dos rios e subterrâneos para abastecimento. Assim, é possível estimar que, ao menos, 10,784 milhões de litros de água foram desperdiçados no estado de São Paulo em 2018. 

No início (Gn 1), era o Espírito de Deus sobre as águas, foi delas que fez surgir a terra seca, gerou parte da criação, limpou o pecado nos dias de Noé. Foi na água onde o Filho de Deus foi batizado, o qual é fonte de água viva. É certo que o elemento hídrico está nos planos do Senhor. 

Fomos ordenados a administrar, cuidar, gerir, trabalhar e preservar a criação, equilibrar a relação homem/natureza, na qual se inclui a água. Através do homem, o pecado destruiu essa harmonia. O homem mudou sua essência de gestor, inclusive no equilíbrio da criação, e, no momento em que há desperdício e poluição das águas na natureza, atesta-se a maneira pecaminosa que faz essa gestão.

Contaminações afetam todas as formas de vida (Canva)

Paulo mostra que, da mesma forma que o homem se sujeitou ao pecado e tornou inútil toda a criação - não por escolha dela, mas por responsabilidade daquele que haveria de administrá-la com equilíbrio -, as águas, também por isso, padecem em dores de parto. Rios e mananciais choram a poluição neles derramada (Rm 18.20 e 22).

Hoje, a forma como desonramos a água é reflexo da forma com que não nos consagramos ao Senhor, e o que provocamos aos recursos hídricos, é resultado da péssima administração daquilo que o Senhor nos concedeu, por isso, não percebemos o pecado de desperdiçar as águas e poluir os mananciais.

Busca-se apresentar ao mundo a diferença de vida através do Criador, mas não há mostra de Seu Espírito quando se é agente da degeneração. Como aguardamos no Filho a liberdade que é pronunciada por Ele, a própria natureza criada precisa ser libertada da degeneração que provocamos com o desperdício e a poluição, libertando-a como pretendemos ser libertos (Rm 18.21).

É imperativo que se compreenda: não gememos solitários com ansiedade e expectativa pela redenção em Cristo, pois a própria criação também aguarda redenção de seu sofrimento (Rm 18.23). Ainda que incumbidos de administrar, somos parte dessa criação, e não há como desassociar a forma pecaminosa que o homem vive da forma pecaminosa com que polui e desperdiça as águas.

Nícholas Bié
Diretor Executivo da JUBESP. É engenheiro ambiental

*Reproduzido a partir da Revista Batistas SP (Ano IV / Edição 19).