20 ABR 2017 ÀS 09H00

A Inveja e a Frustração

Frustração é o estado daquele que se sente impedido, por si mesmo, por outros ou por alguma coisa, de atingir satisfação diante de uma exigência pulsional. Por certo é um dos sentimentos mais perniciosos que podemos abrigar em nosso coração, pois gera outros cada vez mais fortes, chegando até a violência. 

Segundo o Dr. Salem Nasser, professor da Fundação Getúlio Vargas, a violência presente em atos terroristas é gerada em grande parte pela frustração.

Querer estar no lugar do outro, a oportunidade do outro, ter feito as escolhas que o outro fez, seguido a carreira que o outro seguiu e sentimentos semelhantes a esses são em geral o alimento da frustração. Por esse motivo, a crítica sobre aquele a quem invejamos sempre será mais dura. 

“A inveja é o alimento da frustração. A crítica do frustrado sempre será mais dura sob aqueles a quem inveja.” Harville Hendrix

Não é incomum ouvirmos histórias sobre pessoas que sempre usaram o seguinte argumento para criticar o outro: “se eu estivesse no lugar dele faria isso ou teria feito aquilo”. O que se esconde por trás disso? Inveja. Junto vem a frustração. Uma pessoa frustrada só sofrerá e por certo fará os outros sofrerem também.

É bastante difícil trabalhar, conviver ou estar casado com pessoas frustradas, pois o negativismo e a acidez se tornam comuns em seu comportamento. Com isso, sua forma de ver a vida é afetada diretamente. 

Nada está bom para o frustrado, comenta Harville Hendrix no livro “Getting The Love You Want”, que sugere um verdadeiro tratamento de choque para vencer a frustração e a inveja. Seria algo do tipo “caia na real, você não é o outro e não fez as escolhas dele nem teve as oportunidades dele”. 

                       Na impossibilidade de voltar no tempo, a pessoa frustrada precisa urgentemente curar-se, aceitando que as escolhas e oportunidades levam as pessoas a lugares diferentes.

O mais chocante é que o universo de cada um é único. Ou seja, se o frustrado estivesse no lugar daquele a quem inveja nada garante que ele teria tido mais sucesso ou teria agido de maneiras diferentes.

Você está onde está por um motivo, e a oportunidade que tem nesse lugar deve ser aproveitada ao máximo. Gastar energia e motivação pensando no que você faria no lugar do outro é no mínimo perder tempo e alimentar mágoas. 

Não permita que a inveja torne sua visão de mundo negativa nem o leve a criticar de modo superlativo aqueles que estão no lugar onde você gostaria de estar. Em vez disso, ajude e faça valer o conhecido provérbio: “Devo florescer onde fui plantado”. E, cada um florescendo, por certo todos serão beneficiados.

09 ABR 2017 ÀS 09H00

A escolha pelo caráter

Todos nós queremos escolher as pessoas certas. Seja um membro de equipe, funcionário, amigo, seja um cônjuge. Sabemos dos riscos de uma escolha errada e, cada vez que estamos diante dessa tarefa – escolher –, trememos; afinal, a escolha é sempre uma grande responsabilidade.

Para não errar, estabelecemos critérios, criamos perfis e exigimos experiência e formação. De fato, tudo isso é importante. Mas a verdade é que, ainda que escolhamos as pessoas com os melhores critérios possíveis, algumas falham. E uma das falhas com o maior poder de destruição é o deslize moral, ou seja, a falha de caráter.

A falha de caráter traz prejuízos incalculáveis

Uma falha estratégica traz sérias consequências. Uma falha operacional também. Uma falha devida a imperícia ou imprudência, de igual modo. Mas uma falha de caráter consegue ser ainda pior. 

Isso porque ela tem desdobramentos que vão além da equipe e da organização, família ou igreja. Ela pode abalar a estrutura da equipe e até estender-se além dela, envolvendo família e outros. Ela pode matar princípios, valores e referências. A falha de caráter é uma verdadeira bomba: traz prejuízos incalculáveis.

Na hora de escolher alguém precisamos valorizar o caráter. E, em alguns momentos, ele será o critério final diante de alguns bons currículos apresentados. A pessoa com bom caráter fará de tudo para aprimorar seus conhecimentos, refinar seus talentos e trabalhar com determinação. Já a pessoa com mau caráter sucumbirá, mesmo tendo um perfil profissional adequado. No final de tudo, o que mantém uma pessoa em pé é o caráter, e não o currículo.

26 MAR 2017 ÀS 09H44

Minister's Bumpers (Para-choques do Ministro)

(Tradução e adaptação de Guilherme de Amorim Avilla Gimenez do artigo de Ed Young)

Quando fui comprar meu último veículo, o vendedor fez um comentário ao qual não dei muita atenção. Ele disse: “esses para-choques são especiais para quem viaja muito”. Eu me lembro de ter brincado com ele e retrucado, dizendo: “quem viaja muito precisa de motores possantes e freios fortes”. Comprei o carro.

Alguns meses depois, Lisa e eu estávamos fazendo uma longa viagem para as montanhas, percorrendo mais de 800 milhas. Aproveitei ao máximo o motor do carro nas íngremes montanhas Franklin nos arredores de El Paso. Também fiz bom uso dos freios.

Mas, em uma curva, já iniciando a viagem de volta a Grapevine, entendi bem o que aquele vendedor me dissera alguns meses atrás. Um veículo que vinha na pista oposta fez uma conversão muito aberta e, quando percebi, ele estava literalmente na frente de nosso veículo. Desviei rapidamente, mas cerca de 1/4 da frente de nosso carro se chocou contra o outro automóvel. Nosso veículo capotou três vezes e foi parar do outro lado da pista.

"Aqui na Fellowship Church eu precisei várias vezes de bons para-choques"

Graças a Deus, Lisa e eu fomos protegidos pelo conjunto de air bags e sofremos apenas alguns arranhões. O motorista do outro carro foi levado de helicóptero para o hospital, de onde nunca mais saiu. Ele faleceu dois dias depois do acidente. Enquanto era socorrido ouvi um dos policiais falando alguma coisa sobre para-choques. E mais tarde outro comentário já no hospital.

Vim a entender depois o que o vendedor havia falado: aquele carro tinha para-choques que resistiam mais a acidentes frontais, bem comuns em estradas sinuosas. Quem viaja muito por certo correrá mais riscos de colisões frontais do que aqueles que viajam pouco. Comprei um outro veículo igualzinho ao que perdi no acidente. Glória a Deus pelos para-choques que evitaram uma tragédia maior.

Nos 27 anos de ministério aqui na Fellowship Church eu precisei várias vezes de bons para-choques, e graças a Deus os tive. Todo líder precisa de bons para-choques, pois às vezes o ministério é sinuoso. Traz reais perigos de colisão diante de mudanças radicais ou mesmo insatisfações dos que não entendem ou não querem o avanço. Há muitos irmãos que servem como motores possantes, pois sempre incentivam e eventualmente exigem que tenhamos uma velocidade maior.

"Líderes precisam de 'para-choques' os defendam e os protejam em oração diante do inimigo contrário"

Também há muitos irmãos que servem como bons freios: por causa do medo ou precaução nos seguram, nos fazem diminuir o ritmo, pensar e orar mais ou até desistir. Muitos líderes seguem em frente apenas com membros motores possantes e freios. Mas, diante dos acidentes de percurso, esses líderes correm o risco de morrer; de ver seu ministério acabar sem cumprir o propósito de Deus porque, diante de uma estrada sinuosa, acabaram batendo de frente com uma série de perigos reais que enfrentaram como líderes da igreja de Jesus Cristo.

Líderes precisam de para-choques, de irmãos que os defendam e os protejam em oração diante do inimigo que ferozmente vem em sentido contrário ao avanço do evangelho e da santidade. Líderes precisam de para-choques, de irmãos que os defendam e os protejam diante das fofocas, das acusações maldosas, dos ataques verbais, das cobranças exageradas e das reclamações infundadas.

Líderes precisam de para-choques, de irmãos que os defendam e os protejam da agenda pesada e muitas vezes desnecessária, recheada de itens que podem ser facilmente absorvidos por outros irmãos. Líderes precisam de para-choques, de irmãos que os defendam e os protejam diante do burnout, da solidão que gera depressão, das preocupações com o sustento material diante de crises financeiras, de doenças próprias das pressões comuns da liderança e de outros veículos que sempre vêm em direção contrária.

"Que Deus dê a cada colega pastor os para-choques"

Se o motor não for tão possante, ainda assim será possível chegar ao destino, porém com atraso. Se os freios não forem muito bons, pode-se diminuir a velocidade para não correr riscos; se for o caso, pode-se parar e consertar. Mas, sem um bom para-choques, até em velocidade baixa a colisão poderá ser fatal. Para o avanço é necessário ter um mínimo de garantias, ter uma equipe que será proteção dedicada diante das possíveis e prováveis colisões durante o percurso cheio de curvas, principalmente nesse ambiente pós-moderno que jaz no maligno.

Obrigado aos meus para-choques, meus parceiros, meus companheiros de caminhada. Obrigado pela proteção diante dos lábios maldosos e das mentes não renovadas por Deus que projetam sobre a igreja e os pastores ideais não cristãos. Obrigado por terem segurado tantas colisões que por certo interromperiam o que, pela graça de Deus, estamos fazendo no poder do Espírito Santo. Que Deus dê a cada colega pastor os para-choques.

Já que não podemos parar, então que sigamos firmes e protegidos por esses homens e mulheres que são notáveis para-choques, anjos em forma de gente que, com palavras e gestos, permitem que esses servos de Deus sigam em frente, fazendo do ministério “uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês” (Hebreus 13:17).

19 MAR 2017 ÀS 09H00

Desistir: De vez em quando, sempre ou nunca?

Todos temos histórias sobre pessoas que desistem. Alguns desistem de vez em quando, em geral, quando estão diante de um desafio assustador a ponto de lhes roubar totalmente a coragem - eles não enxergam outra alternativa senão desistir. Mas há os que desistem sempre. Não importa o tamanho do desafio, eles vão desistir, porque na realidade não desistem em função do desafio, mas sim por causa de seu comportamento, que traz consigo a tradição de nunca terminar ou enfrentar algo.

Os que desistem de vez em quando realizam muitas coisas, mas não todas, pois sempre aparece algo que os amedronta. Os que desistem sempre, porém, nunca conquistam nada, pois começam várias coisas e nunca terminam. Qual será a nossa história: de quem desiste de vez em quando ou de quem desiste sempre?

Você já pensou em se tornar uma pessoa que não desiste?

Há uma outra possibilidade: não desistir nunca. Ser corajoso, ousado, trabalhador e visionário a ponto de não desistir. Mesmo diante do temor ou até do cansaço, não desistir. Mesmo quando as possibilidades forem pequenas, não desistir. Mesmo quando tudo for contrário, não desistir.

Você já pensou em se tornar uma pessoa que não desiste? Só pondere uma coisa: desistir é imperativo se você está errado. E se errar muitas vezes, desista muitas vezes. Se errar algumas vezes, desista algumas vezes. Agora, se errar sempre então é melhor nem seguir antes de se avaliar profundamente e mudar em todas as áreas relacionadas à decisão.

12 MAR 2017 ÀS 09H00

Um pequeno passo e um grande avanço

Existem iniciativas que aparentemente são muito tímidas. Parecem ser pequenas demais. Por certo, muitas pessoas dão passos bem maiores e têm iniciativas bem mais relevantes. Mas há também pessoas que nem chegam a dar o primeiro passo. Por isso, um pequeno passo não pode ser desprezado: talvez ele seja um grande avanço para quem estava estagnado ou até mesmo andando para trás.

Quando um pequeno passo significa uma mudança real, uma iniciativa necessária ou até decisão crucial para o futuro podemos dizer que ele é um grande avanço. Aliás, em geral o grande começa pequeno, com uma decisão aqui, uma atitude ali e, na somatória de vários movimentos, assim algo vai sendo formado e torna-se grande.

Nunca tenha medo ou vergonha de dar um pequeno passo. E, mesmo que alguém zombe ou compare o seu pequeno passo ao grande passo de outro, ainda assim, dê. Seja firme e simplesmente dê o primeiro passo. Talvez ele não seja tão poderoso, emocionalmente falando, mas se é um passo correto em direção a um presente ou futuro melhor, então dê. E lembre-se de que é passo a passo que percorremos longas distâncias.

É passo a passo que percorremos longas distâncias.

Para quem está parado, um pequeno passo será revolucionário, espetacular e relevantíssimo. Para quem está andando para trás, um pequeno passo será um retorno ao avanço e uma mudança brusca de direção. E para quem já está dando alguns passos, um pequeno passo pode ser a concretização de um avanço, pode ser o último detalhe que está faltando.

Valorize os pequenos passos, sejam eles em forma de atitudes, decisões, mudanças de rotina, implementações, novas ideias ou qualquer outro processo de avanço. E aprenda a celebrar os pequenos passos, não os despreze nem finja que não são importantes. Agora mesmo alguém está começando uma caminhada e ela exigirá um passo por vez. Vamos caminhar?

04 MAR 2017 ÀS 00H00

Fugir ou enfrentar?

Em geral ouvimos que fugir é coisa de medrosos. Que aquele que foge não tem coragem ou é fraco. De fato, muitos fogem por esses motivos. Mas existe uma fuga que é corajosa e inteligente. É própria dos que entendem que algumas situações não merecem o investimento de força ou então estão além de nossa capacidade de vencer ou até de lutar.

Fugir por vezes é uma estratégia valorosa e se mostra indispensável para alcançarmos alguns objetivos na vida. Às vezes fugir é um ato mais corajoso do que enfrentar uma realidade antes do tempo ou com menos recursos do que é necessário. Quando e como reconhecer os momentos ideais ou necessários para fugir? Sendo honesto, estratégico, humilde e corajoso.

Ser honesto é reconhecer a grandeza de um desafio ou sua pequenez. Ao mesmo tempo, reconhecer suas fraquezas e fortalezas. É ter uma autoimagem adequada ao tamanho do que se pretende encarar e enfrentar. Essa honestidade é crucial para o enfrentamento ou a fuga. Quando somos honestos sabemos exatamente se temos condição de enfrentar uma situação ou se precisaremos de ajuda para isso. Fugir do primeiro gole é uma fuga necessária para o alcoólatra, por exemplo.

“Fugir por vezes é uma estratégia valorosa e se mostra indispensável para alcançarmos alguns objetivos na vida.”

Ser estratégico é verificar qual o melhor caminho para enfrentar uma situação. É escolher a ferramenta correta, investir o tempo e energia necessários. Dependendo da demanda que uma situação a ser enfrentada exige, então talvez o mais correto seja fugir, mesmo, aguardando o tempo certo para agir. Adiar uma viagem internacional porque o dólar está em alta ou aguardar a melhora da economia para adquirir determinado bem, por exemplo.

Ser humilde é reconhecer a dura realidade de que alguns problemas são maiores do que nossa possibilidade de enfrentá-los. E, após reconhecer isso, pedir ajuda, estudar, fortalecer-se mental, física ou espiritualmente tornam-se atitudes naturais e que apenas um humilde – e nunca um autossuficiente – buscaria. Sem humildade começamos lutas que não podemos vencer e olhamos para os grandes obstáculos sem a admiração de quem entende como será difícil superá-los. Treinar mais antes de encarar uma prova de longa duração, por exemplo.

Por fim resta a coragem. Coragem é atitude forte e indica que alguém deseja conquistar, superar ou vencer alguma coisa. A coragem nos leva a enfrentar ou a fugir. E muitas vezes a fuga será resultado de muita coragem. Coragem para admitir que não é a hora certa, ou que não estamos ainda preparados ou que não temos condições momentâneas de vencer.

“Se o mais corajoso for enfrentar, mesmo sabendo que será muito difícil, então é isso que faremos.”

A coragem nos levará a duas distintas situações: decidir se é ou não o tempo de enfrentar e preparar-se para agir em decorrência do enfrentamento ou não. Se o mais corajoso for fugir, ainda que falem várias coisas ou que pareça total covardia, será isso que faremos. Se o mais corajoso for enfrentar, mesmo sabendo que será muito difícil, então é isso que faremos. A coragem é o último elemento desse processo que começa com a honestidade, se intensifica com a estratégia e se estabelece em humildade.

Se for necessário, fuja. Não por medo, mas sim pela convicção de que essa é a melhor coisa a ser feita. Em três ocasiões distintas a Bíblia nos recomenda fugir: da idolatria, da prostituição e das paixões (1 Co 10:14, 1 Co 6:18 e 2 Tm 2:22). Esses são exemplos de que fugir às vezes é mais sábio do que enfrentar e de que algumas situações, que se apresentam como derrotas, são vitórias que o tempo revelará.

24 FEV 2017 ÀS 09H00

Será coerente cristãos participarem do Carnaval?

Se procurarmos no dicionário o significado da palavra Carnaval, teremos definições do tipo: “Período de três dias de folia que precede a quarta-feira de cinzas, durante o qual, com o afrouxamento das normas morais, se dá o irromper de recalques, por meio de danças, cantos, trejeitos, indumentária diversa da habitual etc.” (“Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa”).

Lendo uma definição dessas sobre o Carnaval, fico refletindo sobre qual é a postura ideal de um cristão em relação a essa festa. Será coerente cristãos participarem de uma festa que é reconhecida como um período de “afrouxamento das normas morais”? Se seguirmos nas definições, virão outras, como “festa da carne”. E, excluindo definições, o imaginário popular a respeito do Carnaval não é diferente. Ele é visto como uma festa de nudez, sexo livre, drogas, comportamento moral inadequado.

Diante desse imaginário, faço a mesma reflexão: é coerente um cristão participar do Carnaval? Por mais que tente enxergar o aspecto folclórico do Carnaval, não consigo concordar com a participação de cristãos nessa festividade. Ela não combina com nossos padrões éticos nem com nosso princípio de santidade diante de Deus. O apelo carnavalesco é o da carnalidade, ou seja, de uma entrega aos prazeres da carne, que, biblicamente falando, se referem à natureza humana não regenerada pelo Espírito Santo nem disposta a se render à Palavra de Deus.

E, considerando isso, a Bíblia traz uma advertência séria, encontrada em Romanos 8.5-10: “Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça”. O resumo deste texto para mim é simples: cristãos não celebram a carnalidade!

É incoerente para um servo de Deus se entregar aos prazeres da carne, pois Deus condena tal atitude. O Carnaval, por essência, não é uma festa que deveria nos atrair, ainda que a alegação de muitos seja o aspecto folclórico. Aliás, lembremos que há muitos elementos folclóricos na religiosidade brasileira que originalmente eram pagãos, oriundos principalmente das religiões afro e indígena. O folclore pode ser perigosíssimo quando aceito sem questionamentos e avaliação criteriosa. Não podemos permitir que o folclore nos desvie de nosso referencial de fé e prática que é a palavra de Deus.

Terminando minhas reflexões, incluo a pergunta que me fizeram já várias e várias vezes: “Seus filhos pequenos participam da festa do Carnaval?”. Minha resposta sempre é a mesma: “Não”. E, se depender de mim e de minha esposa, continuarão não participando. Não encontro qualquer incentivo para a participação de meus filhos nos bailes carnavalescos, ainda que sejam inocentes do ponto de vista da moralidade e até tragam temas infantis. Minha questão em relação às crianças é a coerência.

Não quero passar pela mesma situação de um casal conhecido que, com dificuldade, teve que responder à seguinte pergunta: “Se eu posso participar do Carnaval na minha escola, por que o senhor não pode participar lá no seu clube?”. Acho bem mais simples ensinar a meus filhos pequenos que participar do Carnaval é uma opção e que, como cristãos, nossa opção em família é não participar. Em minha mente, fico mais tranquilo dessa forma e sinto que estou honrando a Deus mais do que se deixasse meus filhos participando do bailinho ou da festinha.

Há muitos eventos que são, sob o meu ponto de vista, bem mais sadios e que, no futuro, me livrarão de questionamentos éticos e morais que como pai não desejo enfrentar. Por razões de consciência, diante da Palavra de Deus, não concordo com a participação de cristãos em festas de Carnaval. Seria hipócrita se concordasse. Sinto-me leve e honesto dessa forma. E, como líder espiritual de tantas pessoas, compartilho essas reflexões, em amor e sem julgamentos, mas consciente do que entendo ser mais proveitoso para o Reino de Deus. “Por isso procuro sempre conservar minha consciência limpa diante de Deus e dos homens” (Atos 24.16).

16 FEV 2017 ÀS 18H00

Esperando pelo quê?

“Ainda não chegou a hora”, foi o que ele disse. Já haviam se passado alguns anos, mas para ele ainda não era a hora de perdoar. De resolver de vez a questão. De fazer as pazes, se reconciliar, recomeçar. Para muitos de fato a hora nunca chega e a oportunidade nunca é ideal. Há pessoas que continuarão firmes em sua resolução de não perdoar. E com isso o tempo vai passando, trazendo consigo as consequências naturais da vida, como a velhice, e uma sucessão de eventos que sem o perdão se tornam oportunidades perdidas de reencontrar, conversar, sorrir e conviver.

Perguntaram certa vez a uma pessoa muito dura de coração o motivo pelo qual ela não perdoava com rapidez e a resposta foi: “Eu sempre espero um pouco para a pessoa sofrer”. Será esse o motivo de todos os que esperam um longo tempo para perdoar? Talvez sim. Só que a grande verdade é que a pessoa que mais sofre é quem não perdoa. E quanto mais o tempo passa, mais sofrimento é imposto sobre o que se nega a resolver a questão com a terapia perfeita do perdão. Sandra Assis Maia resume os efeitos da falta de perdão da seguinte forma: “a falta de perdão nos faz sentir torturados. O nosso coração fica escravo de um sentimento que vai nos corroendo por dentro. Todas as vezes que nos lembrarmos da situação ou nos depararmos com a pessoa que nos ofendeu, aquele sentimento vai aparecer cada vez mais forte dentro de nós” (in: “As consequências da falta de perdão”. Diário da Manhã, 07/07/2015). Quanto mais se espera para perdoar, mais se sofre. Esse é o preço da falta de perdão.

Para aqueles que dizem que “ainda não chegou a hora”, fica uma reflexão: quando a hora vai chegar? O que precisa acontecer para que ela chegue? Fica difícil responder a essas perguntas quando o coração está duro e a mágoa é maior do que a compreensão da necessidade do perdão. Não perdoar é garantir o sofrimento pessoal, muito maior do que o sofrimento que queremos impor sobre aqueles que não perdoamos. Não perdoar é perder uma série de boas coisas que a vida oferece, destacando-se a possibilidade de viver leve e debaixo da paz só encontrada por aqueles que perdoam.

Não espere mais para perdoar. A hora é agora. O dia é hoje. A oportunidade é essa. Se você perdoar, com certeza será o maior beneficiado e perceberá que o sofrimento imposto pela falta de perdão não faz sentido, diante da graça de Cristo, que nos possibilita a reconciliação e a caminhada em paz nesse tempo, nesse dia.

18 NOV 2016 ÀS 22H21

Nos Ares e no Chão

Antes de aprender a voar, o pássaro aprende a andar. O primeiro deslocamento que o pássaro faz é no chão, andando, até que, em determinado momento, ele começa a se deslocar nos ares, batendo suas asas. E mesmo depois disso, por várias vezes ele fará uso de seus pés, pois nem todas as suas atividades serão feitas no ar. Os pássaros voam quando precisam e andam quando precisam. Aqui está uma grande lição para os homens: há momentos em que não precisamos voar, mas sim andar. Em um mesmo dia, andaremos e voaremos. Para atingir um mesmo objetivo faremos parte do percurso no ar e parte no chão.

Usando a figura do voo para representar as grandes conquistas, os grandes sonhos e os desafios de longo prazo, e a figura da caminhada como sendo as rotinas, os objetivos menores e até mesmo as questões do dia a dia, podemos tirar algumas conclusões muito importantes: a) Nenhum pássaro vive apenas no ar ou apenas no chão. Para alcançarmos nossos objetivos precisamos tanto dos grandes sonhos e das metas de longo prazo como também das rotinas mais comuns e simplórias do dia a dia. Ninguém vive só de sonho, mas também não pode viver só das rotinas; b) As asas foram feitas para voar e os pés para andar. Cada processo exige determinadas habilidades. Para estabelecer as metas de longo prazo temos que desenvolver habilidades bem diferentes daquelas exigidas para as rotinas do dia a dia. Parece-nos que as destrezas para desenvolver as rotinas são mais fáceis de se adquirir ou desenvolver, por isso é que começamos por elas, andando. As habilidades para desenvolver as metas e sonhar com o futuro são mais difíceis de se obter, exigindo estudo, mentoria, aquisição de técnicas específicas. c) Podemos desaprender a voar, mas nunca de andar. Até os pássaros podem desaprender a voar. Pesquisas mostram que pássaros que tiveram asas cortadas ou que foram obrigados a viver em um cativeiro que os impedia de voar foram perdendo a facilidade dos voos naturais e, quando tiveram que voar novamente, experimentaram desconforto e por vezes até demoraram para voar novamente. Se ficamos muito tempo sem sonhar, sem olhar para o futuro e sem criar metas, podemos aos poucos ir perdendo a habilidade, até nos acostumarmos apenas com as rotinas do dia a dia. d) Andar pode ser bom, mas voar é melhor. As asas são bênçãos para os pássaros e os sonhos são bênçãos para os homens. Desenvolver uma rotina com excelência é algo importante e pode gerar satisfação, mas sonhar e desenvolver projetos que alterem o futuro, criando novas e melhores condições, é muito melhor. Voar é infinitamente mais desafiador emocionalmente do que andar. Todos deveriam voar através de um olhar cheio de sonhos em relação ao futuro.

Aprendamos com os pássaros e voemos. Aprendamos com os pássaros e caminhemos. E que nossa trajetória seja – se possível – mais nos ares do que no chão.